quarta-feira, 11 de março de 2009

Cinema Estrelinha

Na Vila Jardim, lá pelos idos de 1983, existia o glorioso Cinema Estrela, carinhosamente apelidado de "estrelinha". Um dos muitos cinemas de bairro de Porto Alegre, que na realidade era na divisa entre a Vila Jardim e o Bairro Ipiranga, e foi pra muitos o seu debut na sétima arte. Pra mim também foi. Foi lá que vi maravilhado O Exterminador do Futuro, em 1984, Mad Max, A Floresta de Esmeraldas, Rambo , além de inumeras matinés onde passavam desenhos toscos e filmes de kung-fú pra gurizada ver.
Minha família não era de muitas posses, e um ingresso pro cinema não seria uma prioridade, então eu tinha de me virar pra poder ir ao Estrelinha; então eu e meu primo (Elenilton) viramos parceiros num empreendimento: com 12 anos de idade, montamos duas carroçinhas de madeira com rodas de rolimã, e após o colégio, fomos os percussores da reciclagem recolhendo vidro, cobre e papel e vendendo no ferro-velho pra no fim de semana ter uns trocados pro ingresso e pra uma Teen ou Coca-Cola no cinema.
Claro que como bons maloqueiros que éramos tivemos nossas primeiras experiências fora-da-lei no Estrelinha. Com 13 anos eu e meu primo com um cupon de supermercado e um giz de cera amarelo falsificamos entradas pro mesmo, sem falar nas bombas relógios que faziamos com um cigarro e um rojão, e que infernizava os donos do cinema. Bombas que só eram usadas caso o filme fosse muito ruim. Foi lá também que dei meu primeiro beijo oficial, lá pelos 14 anos.
Não sei ao certo até que o ano o cinema funcionou, mais sei que hoje ele é uma igreja evangélica, como muitos cinemas do Brasil, e com certeza não é um lugar tão cheio de alegria como era no meus tempos de guri.